Encontrando o impulso
- Taline Pontes
- 27 de nov. de 2025
- 1 min de leitura

Montevidéu, 27/11/2025.
Meu corpo não move. Segue encolhido como se quisesse voltar ao último lugar que esteve protegido; o útero. O medo me paralisa. Me faz acreditar que estou em um constante estado latente de não ter vontade de fazer coisas, como se fosse preguiça ou cansaço. Há anos sou controlada; já nem sei quando ele assume o comando.
Ao entrar na situação de entrega, recebo um peso de dúvidas com o intuito de me afundar. Meu mecanismo de defesa se ativa. Apoio o pé no chão e subo. Saio dessa água turva. Expurgo o veneno. Respiro.
A esperança é contagiante; a força ressurge. Mas os embates retornam e não estou firme o suficiente para passar por eles. A frustração me puxa para baixo e o predador me ataca novamente. O ciclo se repete.
Sabe, diário, quero te dizer uma coisa. Estou cansada de tudo isso. Não quero mais perceber-me como insignificante, alguém incapaz de enfrentar obstáculos. Não sei quando essa sombra me fez ver-me dessa forma. Porque conheço a minha verdade e minhas memoráveis vitórias. Um basta precisa ser dado. Desta vez, pegarei impulso, cravarei-me na terra e seguirei meu passo.




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