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Encontrando a meta possível

  • Foto do escritor: Taline Pontes
    Taline Pontes
  • 5 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 7 de fev.


Computador aberto na página do blog sobre uma mesa de trabalho. À direita, um planner mensal e uma xícara de café. À esquerda, livros empilhados e papéis sob uma garrafa de vidro com água. Dentro do copo, uma planta criando raízes, sugerindo crescimento lento e contínuo em um ambiente cotidiano.


Montevidéu, 05/02/2026


Almofadas espalhadas, decorações natalinas ainda penduradas, alguns presentes sobre a mesa para troca, misturados às louças secas esperando serem guardadas. Tinha medo de olhar o recibo e descobrir que já havia passado o prazo; por isso seguiam imóveis, acumulando poeira. 


Era sábado de manhã e acordamos com vontade de voltar a dormir. Decidi me levantar e tomar algo que me abrisse os olhos. Seria café o pó em cima da cafeteira? Melhor não saber. Havia três pacotes abertos em seus finais, quem sabe, juntando todos, pudesse espremer dois cafés para nos safar mais um dia.   


De cabelo arrepiado, Gonza se levantou e foi direto para a geladeira. Retirou algumas caixas vazias. Até agora, nenhum sinal de comida. Escutou o barulho da cafeteira, um rápido olhar esperançoso na cara de quem não queria papo. Estávamos muito adentro de janeiro para nos manter nessa situação. A conversa precisava acontecer.


Observei sua tentativa ingênua de encontrar algo já pronto. Me perguntei quantas vezes a limpamos no ano passado. Quase nunca estivemos em casa, não sabia nem quantas vezes a havia usado… Cuidar dela passou longe das prioridades. Se foram duas, considerava como sucesso. 


Com os cafés prontos, busquei um espaço vazio na mesa para colocar meu computador. Gonza sentou ao meu lado. Entre pequenos goles de satisfação e olhos franzidos, revisamos em silêncio a antiga tentativa de ordem da casa. “Limpar toda a geladeira", indicava semanalmente. Onde foi que nos perdemos? O intervalo parecia algo possível quando se vê vídeos de solução instantânea na internet. 


Depois de algum tempo e muitas negociações, ficamos com a frequência de uma vez a cada três semanas. Decidimos trabalhar juntos, assim, um daria apoio ao outro. Recentemente mudamos a forma de nos organizar e colocamos nossas atividades no planner mensal que fica na porta do freezer. Toda vez que buscamos comida, ela mesma nos recordava de que o prazo estava chegando.  


“Limpar a geladeira”, li em voz alta tentando me convencer de que cumpriria isso. O dia havia sido movimentado e escaldante. Não tínhamos forças para enfrentá-la inteira. 


— Vamos, a gente prometeu — disse a um marido não muito amistoso. 

— Que vamos fazer? —  respirou fundo tentando reunir energia.


Olhei novamente para o planner. Ele acusava “Limpar a geladeira”. Em nenhum lugar dizia que precisava ser toda. “Por que não ir por parte?”, pensei. 


Propus a ideia que foi prontamente recebida. Disse que ficaria com a porta e perguntei o que ele gostaria de fazer, respeitando a limitação do dia. O alívio de dividir em pequenas etapas lhe trouxe fôlego e não pensou muito para dizer prateleiras. 


Entre manchas duvidosas e fofocas divertidas, conseguimos cumprir o combinado. Talvez a limpeza não esteja impecável, nós tampouco. Assim seguimos, com lentidão e constância.


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