Encontrando a não destruição
- Taline Pontes
- 29 de jan.
- 2 min de leitura

Montevidéu, 29/01/2026
Não gosto de começar nada na segunda, em janeiro, pela manhã. Esse início perfeito esmaga meu espírito, tira o desejo de me mover. Entrei na academia em um dia qualquer de dezembro. A primeira meta foi colocar os pés no local. Poderia, inclusive, chegar e ir embora. Houve um dia em que isso quase aconteceu.
Sei que alguns podem achar que regularidade é um objetivo muito pequeno. Há pelo menos um ano venho lutando para me mover três vezes na semana. Estar conseguindo por um mês é um avanço real.
Depois de alguma constância, resolvi conferir os resultados. Queria aquele incentivo que só a balança sabe dar. Fiz meus dez minutos de aquecimento na esteira para conseguir uns números a menos. Estava confiante, podia sentir na roupa a diferença. Tirei os sapatos e subi. Um quilo e trezentos a mais que no mês passado.
Em outro momento, isso definitivamente me destruiria. Calçaria o tênis e iria direto para alguma padaria. Compraria um roll de canela, um croissant de queijo e cookies. Me largaria no sofá. Colocaria alguma das minhas séries de comédias preferidas. E deixaria que a combinação de tudo isso fizesse a sua mágica.
Mas não foi o que aconteceu. Voltei aos exercícios e finalizei como se fosse um dia qualquer. Era preciso contabilizar o peso extra que ganhei das festas do fim de ano, a massa muscular e a oscilação do meu ciclo menstrual. Se eu olhasse por esse ponto de vista, tinha era emagrecido.
Quando tomei a decisão de começar a academia, optei por fazer no meu ritmo. Fui bastante clara comigo e com os outros, não criei expectativas irrealistas e respeitei meus limites. Meu foco está em dar um passo de cada vez. Não é mais de uma noite de diversão. É uma relação para a vida inteira.




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