Encontrando a solidão
- Taline Pontes
- 4 de dez. de 2025
- 1 min de leitura

Montevidéu, 04/12/2025.
Injustiça, força, raiva efervescente. Ainda me ruborizo quando penso no ocorrido. Um passado distante que se torna tão presente. O dia em que fui publicamente humilhada por estar certa.
Sofrimento, decepção, solidão. A condenação veio da turma inseparável. O meu lugar seguro. A minha alegria diária. Eu era criança demais para entender que são os mais próximos que nos causam as mais profundas feridas; e, talvez, ainda seja.
Insignificância, resistência, inércia. A impugnação foi por algo tão pequeno, como a classificação do tomate. O simples ato de consultar um dicionário era suficiente para confirmar a definição: é uma fruta. A sociedade decidiu negar sua essência, porque lhe era conveniente. Escolhemos reproduzir inverdades; é mais cômodo se manter passivo na caixa que expandir ativamente a visão.
Sofri. Persisti. Prevaleci. Não houve pedido de desculpas. Alguns sussurros constrangidos confirmando minha vitória. As brincadeiras seguiram como de costume, como se não tivessem me causado dor. Mas o silêncio não apaga o feito, diário. Algo em mim se modificou. Aos dez anos, a vida me ensinou que ser fiel à minha essência é um caminho particular; somente eu posso percorrer.




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